Casais de Churrascaria

Qualquer coisa é melhor que casal de churrascaria.

Um relacionamento só pode ser interessante e duradouro se os pombinhos se mantiverem em lados opostos da mesa. O vício inicial de sentar um ao lado do outro para poder dar amasso é difícil de ser superado, mesmo quando passa aquela fase do desespero. Depois de alguns anos juntos, acaba que os dois ficam olhando em volta, nunca um pro outro. Em questão de minutos, a conversa morre. Em questão de meses, o saco enche. Em questão de anos, só resta o divórcio. Se você for um romântico dramático, o suicídio. Se você for um romântico pragmático, um homicídio. Afinal de contas, a chance de um assassinato ser resolvido pela polícia brasileira é bem menor do que a chance do advogado de sua futura ex-mulher arrancar seu couro no acordo de separação.

Casais de churrascaria jamais sentam-se um de frente para o outro. Não conversam, só resmungam coisas monossilábicas vagamente na direção do outro. Invariavelmente, o cara pede um chopp e a mulher uma Coca Light com gelo e limão. Ficam um do lado do outro olhando para tudo, menos um pro outro.

A única hora que há qualquer espécie de interação é quando a infeliz da mulher pega uma daquelas bananas fritas, que mais se parecem com um pênis à milanesa, e começa a comer. O homem, aparentemente incomodado pelo fato da sua mulher colocar na boca um imenso pênis marrom, começa a reclamar.

– Que que você tá fazendo?!
– Como assim? – responde a infeliz da mulher, obviamente numa voz lenta e monótona. Mulheres que viram a metade feminina de um casal de churrascaria invariavelmente têm vozes lentas e monótonas, só para não destoar do resto.
– Não pode comer a banana frita, pô!
– Mas eu gosto da banana frita...

Nisso ele revira os olhos, gira a cabeça lentamente de um lado pro outro e faz algum gesto levemente teatral de frustração, tipo esfregar o rosto ou franzir a testa, no caso de algum Juiz do Bom Senso estar observando tudo, com o intuito de mostrar o quão abismado ele está com a estupidez humana e, ao mesmo tempo, procurar apoio de alguém, talvez deus, talvez o garçom sonolento e entediado, talvez o time de futebol dele, sei lá.

Homens que viram a metade masculina de um casal de churrascaria sempre acham que estão tão certos que qualquer um apoiaria sua frustração com o desobedecimento (pior, desconhecimento) de uma das regras mais óbvias da vida humana. No universo do marido cagador de regra, Não Comerás a Banana Frita da Churrascaria deveria ser o 12º mandamento, logo após Não Interromperás a Fórmula Um No Domingo.

– Não importa. É asim que eles ganham dinheiro!
– Como assim?
Já imagina o tom de voz, né?
– É vendendo banana frita a preço de picanha que esses lugares arrancam nossa grana!
Detetive Fulano Average, à beira de desmascarar a grande conspiração das churrascarias de rodízio. Pelo menos alguém está lutando contra a ganância capitalista desenfreada, que corrompe o seio da família brasileira. O povo, unido, jamais será vencido!
– Mas eu gosto da banana frita…

E por aí vai.

Por aí vai, mas não para por aí. Casais assim sempre reproduzem, e sempre sai igual. Meninos chamados Gui ou Gu, com aquele cabelinho insuportável que parece um capacete e uma mania de correr loucamente entre as mesas do restaurante. Casais de churrascaria não têm qualquer controle sobre o filho, pequeno capeta que um dia vai achar bonito tacar fogo em índios ou espancar travestis.

Já as filhinhas, alegria do papai, chamam-se Carol ou Luciana, são criaturinhas de 9 anos de idade já cobertas de batom, com shortinhos e botinhas e bolsinhas, saracoteando para cima e para baixo como pequenas prostitutas-mirim. Depois ninguém entende o aumento da taxa de gravidez adolescente.

Casais de churrascaria são o average do average. A quintessência da normalidade absoluta, da mediocridade completa. É ele com o churrasquinho no fim-de-semana, ela com o salão no sábado, ele com a pelada com os amigos, ela insistindo na viagem para Guarapari em janeiro. Ele querer que o filho seja engenheiro, ela sonhando com o casamento da filha na igreja, ele comprando um sítio com quadra de peteca, ela fazendo uma plástica por ano depois dos 40.

São os dois aposentando, ficando velhos e gordos, começando a usar fraldas e morrendo, felizes e idiotas. Passando pela vida sem fazer nem uma lasca na delicada e pungente escultura interminável que é a humanidade.

16 comentários:

guilherme disse...

Belo texto. Imagino que se trate dos antigos casais... a versão antiga dos futuros casais rodízios de sushi.

filipe disse...

This text put a little skip in my step!

Daniel Poeira disse...

Otimista como sempre. Mas eu gostei.

Manuel Rolim disse...

"Passando pela vida sem fazer nem uma lasca na delicada e pungente escultura interminável que é a humanidade."

Poético, tipo água da vida.


Muito boa a parte do suicídio/romantismo e homicídio/pragmatismo.

E já tá linkado lá, jovem mancebo.

saintcahier.livejournal.com disse...

O foda dessas pessoas é que torna uma vergonha você gostar de certas coisas, mesmo por razões legítimas. Eu por exemplo, adoro sushi e Mozart, mas quando vejo os casais rodízio de sushi e os "Mozart para bebês" da vida, fico com vergonha de me confundir com essa plebe.

Lori disse...

Adorei!!!

Pat disse...

Casais tristes... Não tem o que fazer, muito menos vontade própria.

david disse...

vc esqueceu das manchas de sangue que ficam nas blusas polo brancas que é a antítese de fornicar com uma mulher menstruada e enrubecer os lençois de algodão egípcio.

Fritelix disse...

Por estas e outras, que estou vegetariano. Pelo menos por enquanto!!
ahahahahahahaha...

Bruno Bicalho disse...

E ai, Matias!
tranquilo?
não sei se você conhece o Caixa Preta, mas toda sexta-feira tem um Sarau com textos diversos, poesias etc....

tava pensando em divulgar um poema seu nessa sexta. O que acha?

Dai, a gente poe link pro seu blog com seus creditos etc....

Se topar, me fala ai!

abraçao!

João disse...

Texto fraco, meio sem sentido. Não sei se a intenção era fazer rir ou chorar...

Matatas disse...

Era fazer rir. O texto não é sem sentido, você que é burro mesmo.

Tiago Pereira disse...

Olá Matatas.Bem, vamos com calma. Pelo que percebi você só responde aos comentários negativos, e sem muita delicadeza. Portanto, tentarei justificar minhas críticas pra não soar como molecagem. O problema aqui realmente não é a falta de sentido; do ponto de vista estilístico, o texto não passa de uma crônica medíocre de jornaleco fuleiro de domingo, apesar de coeso e gramaticalmente bem esturturado. Mas o buraco é mais embaixo: do ponto de vista do conteúdo, seu texto é simplista preconceituoso e, além de tudo, arrogante. Você se coloca como o dono da verdade, e sua atitude grosseira de intelectual que, supostamente, com esses textinhos de nariz em pé, deveriam ajudar a esculpir a tal humanidade, apenas demonstra o quão distante você está dos valores humanos, e o quão distante está de ser o gênio que pensa ser. são gestos como esse que acirram os estereótipos que regem nossa vida social e ajudam a criar aberrações como aquele David do comentário logo acima. Não são os comentários do João que você precisa julgar, mas essas coisas grosseiras e violentas que falam de camisa com sangue de menstruação (coisa que eu nunca vi em lugar nenhum, muito menos em churrascaria), e parecem desconhecer o significado da palavra "antítese". Mas talvez seja mais fácil manter sempre a guarda de pé, pois esse aqui não é o espaço da discussão intelectual que você propõe, mas sim o elevador do seu ego sem limite. Desculpa, não me contive, mas é que sua arrogância me dói.

Matatas disse...

TLDR

Tiago Pereira disse...

rtfm babaca preguiçoso

Fritz-Peter Hager disse...

Matias, nao sei o que significa TLDR, tampouco rtfm. Mas a expressao "babaca preguicoso" veio a calhar. Nem tanto pelo preguicoso, pois acho que voce tem sim disposicao e tempo para escrever. A questao está na impossibilidade de refutar o cara aí acima...é véio se fu...