Processo Criativo

Acho fascinante o processo criativo, meu e dos outros.

Pronto, já comecei o post de hoje com uma mentira. Só estou me denunciando porque foi uma mentira para mim mesmo. Não tenho o menor problema em mentir para os outros (ainda mais por formas de comunicação que não exigem contato visual), e mentiria para você quantas vezes fosse necessário para ser engraçadinho. Só que, ao fingir que acho o processo criativo dos outros fascinante, quase menti de forma auto-convincente, e isso não pode.

Começando de novo: acho fascinante meu processo criativo.

Ele depende quase que exclusivamente de cafeína, falta de maturidade e desespero. Tomo um espresso e sinto um desejo incontrolável de chocar, como se isso fosse possível. Nem consigo acreditar que alguém fica chocado com seja lá o que for. Filmes de dálmatas transando com meninas de 8 anos de idade circulam livremente, e falar que qualquer um burro o suficiente para acreditar num pastor evangélico merece ficar sem 10% do salário, é chocante?

De qualquer forma, assim que escolho um tema que vai gerar um monte de comments no meu blog, começa o desespero. O espaço a ser preenchido por palavras unidas para dar forma a tudo que povoa minha mente (idéia assustadora) é gigantesco, tenho certeza sempre que vou desistir antes de acabar. Quando vejo, escrevi tudo que tenho a dizer, e ainda falta meia página.

Entro em pânico. Às vezes penso em algum detalhe para encher lingüiça mais uns 2 ou 3 parágrafos, às vezes enfio uma piada no meio, e hoje decidi escrever essa besteirada toda no começo para fingir que foi escrito antes do texto a seguir. Esperto, né? Só não me perguntem quais os caminhos tortuosos que me levaram a escrever um texto chamado:

Pirocas Negras

Ok, este texto é um campo minado. Antes de colocar duas linhas no papel (na tela, força de expressão), já vejo milhões de armadilhas. Não assino embaixo de nenhuma espécie de -ismo, só discorro sobre idiotices de forma mordaz e divertida (tento, pelo menos). Espero que isso seja o suficiente para evitar um processo.

Vamos começar com o estereótipo sobre negros, que está no âmago da questão: supostamente, negros têm pau grande (não achei nenhum eufemismo, nem acho que caberia). Não sei se procede, e não tenho como averiguar se é verdade ou se é igual o mito que alemã não tem bunda e que italianos são bem vestidos, mas sei que é parte do imaginário coletivo universal.

Pensei sobre o tema, e percebi que está intimamente ligado com a idéia de desejo e expectativa, e a capacidade humana de lidar com frustração.

Imagine por um momento uma cena: Um sujeito branco, está com uma mulher em casa. São duas da manhã, estão sozinhos e ligeiramente embriagados. Tudo certo, tranquilo, o cara, a mulher, vinho, tira blusa, amassa, agarra, tira calça, etc., até que a mulher puxa o pau do cara pra fora, encontra algo razoável, sorri, feliz que o branquelinho não tem pau pequeno e tudo prossegue normalmente. Mas porque? Porque ela não estava esperando nada. Brancos, supostamente, têm paus de tamanho “normal” (seja lá o que for isso); sendo assim, a mocinha estava sem nenhum apego ao desejo de ver uma ferramente volumosa. Ela estava preparada para qualquer coisa, e, quando algo razoável aparece, está tudo bem. Quer dizer, tudo bem bem não está, mas passa.

Agora, a mesma cena, mas, desta vez, um cara negro. Mesma coisa, em casa, sozinhos, amasso, etc., só que, agora, ela não está livre de conceitos pré-estabelecidos. Ela está imaginando um jegue descomunal, uma jibóia assustadora. Está até preparada para suportar a dor, caso seja grande demais.

Mas... e se nosso protagonista afrobrasileiro tiver pau pequeno? Nem precisa ser absurdamente pequeno ou ridículo; na verdade, não precisa nem ser pequeno, só um tamanho normal, na média. Já é o suficiente para tornar a situação super desconfortável, ainda mais se for um esquema one night stand, em que personalidade, inteligência e gentileza não entram na equação. Mesmo que a mulher nem faça questão de algo parecido com uma baguette, ela está apegada ao desejo, e ficará frustrada.

O que quer dizer isso tudo? Quer dizer três coisas.

Primeiro, que as pessoas precisam saber lidar com frustrações de forma saudável. Por isso, tome alguma coisa de uma criança qualquer, de preferência algo que ela ame. Isso vai ensiná-la a lidar com a frustração que perder algo querido gera. Escolha bem a criança, no entanto. Filhos de amigos são ótimos para isso. Principalmente de amigos dos quais você não goste e que prefira nunca mais ver em sua casa.

Segundo, que os europeus escravizaram os africanos porque tinham inveja dos membros negros. Simples assim. A cana de açucar e cacau e bananas e café e todas as outras lavouras que os escravos cultivavam não serviam para nada, era a forma do velho continente de punir aquele povo que ousava ostentar pirocas maiores que as deles. Imagine, uma aristocracia de peruca e maquiagem ficar revoltada por algo que a fazia sentir menos máscula. História é realmente mais estranha que ficção. Tirando aqueles livros de "romance" de banca com homens viris segurando mulheres seminuas na capa. Nada é mais estranho que aquilo.

Terceiro, o processo criativo é engraçado mesmo. Na reta final, percebi que não tenho mais nada a falar desse assunto, mas, por sorte, cheguei ao final do post de hoje. Bom fim de semana, para as únicas duas pessoas que não devem ter largado essa bosta de texto no meio, por puro amor incondicional. Bom fim de semana, pai e mãe!

11 comentários:

eu disse...

Numa boa, ningu�m aguenta blogueiro desesperado por audi�ncia! Avisou uma vez t� massa, mais que isso � enche�o de saco do carau! Se cuida.

Maria Bernardes disse...

Matias, adorei as 3 conclusoes do seu texto!! ja' votei tambem nessa enquete suuuper importante!! Um beijao pra voce!!

Daemon disse...

fico imaginando quantas leitoras votariam na opcao 4 só pra avacalhar a enquete...

Disclaimer: NÃO estou sugerindo que a leitora acima votou na opcao 4.

Jacques disse...

Sempre que homens recorrem a esse tema, as mulheres dizem... Ah... é coisa de homem falar do tamanho do pau. Mas no fundo, bem no fundo, elas mentem.

saintcahier.livejournal.com disse...

Interessantemente as mulheres e os homens gays estão mais bem colocados para responder à enquete, por terem contato com uma amostragem maior da variável aleatória em questão.

Mas neste mundo competitivo aprendi uma coisa: o importante não é a média, é a mediana!

Daniel Poeira disse...

Isso é um absurdo. Como assim não tem como verificar se é verdade que os negros têm pau grande? Que preguiça! Falta de profissionalismo! Eu exijo que você faça uma pesquisa de campo!

guilherme disse...

Vídeos de dálmatas fazendo sexo? Aonde?

Lori disse...

Verdade.... Matias, como vc sabe tão bem o que passa na cabeça das garotas quando o assunto é pau?

Anônimo disse...

ser branco de pau pequeno me dá conforto.

Inside a magic box disse...

Olá!
Muito obrigado por despertar em mim uma gargalhada gigante com esse texto quase psicanalítico sobre a origem da escravidão...
Fantastic!
Freud concordaria, afinal está sempre tudo relacionado ao falo ou à falta dele...kkkkkkkk
Cacá

Carmen disse...

nem sei se deveria comentar, só pra não ficar mal pro meu namorado...