De volta, e pior que nunca.

Desde que decidi voltar com o blog, quebrei a cabeça tentando encontrar o tema perfeito. Um tema polêmico, que permitisse opiniões fortes e superficialmente fundamentadas, nas quais eu nem sei se acredito. Aborto, religião, pedofilia, sexo grupal, política externa do Azerbaijão, esse tipo de coisa.

Pensei em falar de casais de churrascaria, tema interessante mas não bombástico suficiente. Pensei também em falar de padres e coroinhas, mas, realmente, o que há para falar? Padres comem coroinhas, e pronto. Morreu assunto.

Finalmente clicou. Sete de setembro, independência do Brasil, grito do Ipiranga, toda essa besteirada. O tema?

O Brasil

O Brasil é um país peculiar. Habitado por bípedes semi-racionais, é o quinto do mundo em área e população, e o 19º em ordem de países habitáveis (perdendo para Alemanha, Estados Unidos, Espanha, Japão, Inglaterra, Itália, Suécia e mais 11 países). Mas pelo menos ganha da Uganda e da Colômbia (e do Azerbaijão, seja lá onde isso for).

Já estive envolvido em, pelo menos, 137 discussões com o tema "O Grande Problema do Brasil é…", e cada vez com uma conclusão diferente. Corrupção, educação, burocracia, políticos, flanelinhas, o norte/nordeste, . Toda vez fico impressionado que ninguém chega à essência do problema. É igual discutir religiosidade e fanatismo sem concluir que a raiz do problema é que as pessoas são burras o suficiente para acreditar que existe um homem invisível no céu e que é possível engravidar de um fantasma. Vamos ao que interessa, O problema do Brasil são os brasileiros.

O brasileiro é, supostamente, um povo solidário, criativo, cheio de gingado e com o samba no pé. Bullshit. O brasileiro é egoísta, ganancioso e passivo; retrógrado, ignorante e preconceituoso. Não vou ser ridículo a ponto de fazer aquelas comparações vazias com países de verdade, tipo "Na Suécia, as pessoas não trancam os carros" ou "na Inglaterra a polícia nem precisa carregar armas". Afinal de contas, é só olhar por outro ângulo; a Suécia tem mais alcóolatras que o Japão tem pedófilos, e na Inglaterra volta e meia explodem uma estação de metrô. A vida, em qualquer lugar, tem lá seus lados positivos e negativos. Agora, o Brasil tem algo de especial, já que o grande fator negativo são seus habitantes.

Colonizado por lusitanos, o Brasil nunca foi uma terra de sonhos, rumo à qual colonos partiam em busca de uma vida melhor. Aqui sempre foi uma privada para o lixo europeu, e tudo indica que este gene da merda ainda permeia nossa sociedade.

O Brasil é o país onde as pessoas gostam de levar vantagem em tudo. Proponho, inclusive, mudar a frase de Lei de Gérson para Lei do Brasileiro. Gérson era só um jogador de futebol meio burro (olha o pleonasmo!) que participou de uma campanha publicitária infeliz. O brasileiro é um povo que não tem senso de comunidade, criado num sistema que valoriza e estimula benefício próprio em detrimento ao avanço coletivo. Neste pseudopaís, é motivo de orgulho burlar o sistema para economizar dinheiro ou tempo. A idéia do “não levar desaforo pra casa”, se não é irmã do “jeitinho brasileiro”, é ao menos prima. São princípios originários da idéia do Macho Alfa latino-americano e sua necessidade de auto-afirmação. EU dou meu jeito, EU não aceito isso, EU não espero em fila, EU EU EU.

(Me impressiona tanto individualismo num país que adora ser massificado em quase todos outros aspectos. Um país que se une numa massa coesa para consumir avidamente qualquer lixo cultural lançado pela mídia deveria ter mais senso de coletividade)

Já viu quando você está numa fila de muitos carros para virar à esquerda e alguém vem rasgando pela direita, entrando na frente de todo mundo? Esse é o jeitinho brasileiro, e todos que fazem isso devem morrer. É muita petulância um povo assim reclamar de dirigentes e instituições incompentes e corruptos. Newton Cardoso e Paulo Maluf não brotaram por geração espontânea. Eles são o produto do sistema brasileiro. Eles são o jeitinho brasileiro, o gingado nacional.

O povo brasileiro tem o país que merece.

23 comentários:

SaintCahier disse...

Adorei a volta do matatas.*.com, especialmente porque nós, attention whores, podemos fazer propaganda dos nossos respectivos blogs!

Daemon disse...

Nem vou fazer propaganda do meu, pois tem uma cara que não escrevo nada lá.

Anônimo disse...

Que desabafo hein!!!
Concordo!!!
um abraço
vai pedalar mais não???

Manuel Rolim disse...

Gostava mais do CincoFive, bem menos pretensioso.

Proietti, se continuar assim, daqui a pouco você vai estar no Manhattan Connection.

Fritelix disse...

Colé Matias!?!?
Olha, foi você quem pediu! Meu comentário ficou grande e está lá no www.fritelix.blogspot.com
Quando tiver um tempo leia. Espero que não se melindre com visões antagônicas.
Abç

LUiz disse...

Veio, animal! Muito bom... coisa de sociologo.

Cacá disse...

Putz, fantástico!!!!!

Recebi um email da Carmem com seu blog e uma descrição sumária, fiquei curiosa e vim ver o que tinha por aqui...
Muito bom, muito bom mesmo!
Não posso de forma alguma me exluir disso, afinal de contas como brasileira vejo traços culturais desprezíveis em mim mesma. A omissão, o individualismo e a "preguiça" política são as principais delas.

Guilin disse...

Nem todo brasileiro é egoísta. Nem todo brasileiro é ganancioso. Nem todo brasieliro é retrógrado. Nem todo brasieliro é Ignorante. Nem todo brasieliro é Preconceituoso. Mas o brasileiro que não é nenhuma dessas acima é passivo.
Concordo plenamente. A indignação é mais superficial do esse meu comentário.

Divertida essa bricadeira de comentar blog. Abração

saintcahier.livejournal.com disse...

O problema do Brasil não é que o povo é fudido. Povo é fudido em qualquer lugar do mundo (embora, okay, em alguns lugares ele é mais fudido que em outros). Mas com uma elite inteligente e inspirada, dá para ir tocando o gado e ir fazendo alguma coisa...

O problema é justamente o fato de que uma elite inteligente e inspirada é uma coisa que nós não temos. Nossa elite é de um beige desolador, isso quando não é francamente estúpida.

Fabiane Ribeiro Ferreira disse...

Matias, acho que passei da fase da indignação pura e agora estou mesclando-a com a fase da tristeza, ou talvez do pesar. Não acho que essas são características exclusivas do brasileiro, mas sim do ser humano; e é isso que entristece. Afinal, não posso me incluir fora dessa, apesar do meu esforço contínuo de fazê-lo. O problema, ao meu ver, está numa lógica que o senso comum aceita sem crítica. A mesma de quem passa à direita da grande fila de carros e se sente herói, de quem anda de Toyota blindada e abre o vidro para atirar lixo, de quem lava calçada com mangueira e leva cada folhinha ao esgoto com uns 20 litros de água. É a lógica do EU, como você bem disse, que eu acredito tenha surgido junto com a sensação de propriedade. Uma lógica que já provou não ter lógica e que daqui para frente tem maiores chances de acabar com o planeta. Somos uma teia e o ato de cada um de nós refletirá nos outros, não estamos imunes e não temos a vida eterna. Então eu fico pensando um pouco, às vezes muito, no que eu poderia fazer para colaborar. Encontro algumas coisas práticas e outras não. Mas acho que o exercício do pensar, ao alcançar toda a massa, já seria um passo grande. Um pensar como o que você propõe: crítico. Pode ser indignado ou não. Mas pensar. Na vida das pessoas hoje em dia não existe o tempo para pensar, porque ser EU é muito importante e custa caro. E assim vai indo a multidão, gastando água (porque paga e sente-se proprietária da natureza), poluindo o ar (porque não existem conseqüências proximais fortes para não fazê-lo), olhando para seu umbigo como se fossem o centro de tudo e não uma ínfima parte do todo. Que as pessoas aproveitem um feriado desses para sentar debaixo de uma árvore e simplesmente pensar, escapando, lógico, do homem invisível do céu (porque sem isso fica difícil mudar!). E que depois transem de camisinha que é para não engravidar do fantasma. Criemos nossos filhos em outra lógica!

saintcahier.livejournal.com disse...

Vocês tem que se lembrar das etapas de desenvolvimento cognitivo de Piaget: sensório-motora, pré-operacional, operações concretas e operações abstratas. Ainda estou para confirmar em uma fonte mais segura mas andei esbarrando com o dado que dois terços das pessoas jamais atinge a última etapa.

O que tem isso a ver com comportamento? Bem, a capacidade de abstração, de pensar em categorias gerais é justamente uma das condições necessárias (mas não suficientes) para atingir os estágios superiores do desenvolvimento moral segundo Kohlberg.

Sociedades bem-sucedidas resolvem esse problema criando mecanismos de punição eficazes. É a única forma de deter quem está no estágio 1 do desenvolvimento moral. O resto é voluntarismo.

Manuel Rolim disse...

ahahahahaha

Tive uma idéia, Proietti. Que tal nós arrumarmos mais uns dois pretensiosos arrogantes e fazermos o Savassi Connection. Tenho certeza que ia fazer mais sucesso que...

Podia ter um slogan tipo "Opiniões levianas sobre assuntos relevantes", ou vice-versa, sei lá.

P.S. Na verdade só mandei este outro para aumentar seu número de comentários.

Anônimo disse...

E ai Matias
Demais esse post (re)inaugural , rola de escancarar muita coisa (des)confortante neste seu projeto, o exemplo dos brasileiros furando fila de carro me tocou no nervo exposto, rola mesmo de montar um esquema para não apenasmunir o repertório de opinioes indignadas mas também de desmascarar os "brasileiros que fazem" numa espécie de "linha direta também falmos de você":D
http://www1.fotolog.com/pyrobit/8780828

mas parabéns pelo blog e voltarei pra ler em breve


abração
Brunão

Eduardo disse...

Matias,

Junte seu texto à letra de Max Gonzaga e temos um bom registro, mesmo que muito genérico, do que é a classe média brasileira.
Quanto ao povão, dizem aí os comentaristas que o povão é fodido, como em todo lugar. Permita-me um relato que, creio, nos convida a refletir melhor. Perto de minha casa tem uma escola estadual dessas que atendem a uma comunidade realmente muito pobre. Pois nessa escola tem um grupo de mães e pais que, todos os dias, voluntariamente, leva merenda para ser dada às crianças que chegam em tal estado de fome que não aguentam esperar pelo horário da merenda oferecida pelo estado. Exemplos assim poderiam ser multiplicados aos milhares. Que tal divulgar o que se faz de maneira diferente e positiva no país? Pela minha experiência de vida posso assegurar que tem muita coisa surpreendente a ser descoberta.

Abraços,

Eduardo Sarquis

saintcahier.livejournal.com disse...

O problema, Sarquis, é que esses casos anedotais não chegam a mudar as médias significativamente... no máximo aumentam o desvio padrão um pouquinho.

Menos cinicamente, tenho também assistido a umas emergências, umas cooperações bacanas, às vezes vindas das mais profundas grotas. Luzinhas bruxuleantes em meio à escuridão, mas quem sabe? De pequenas chamas nascem grandes incêndios.

Mas, voltando ao cinismo, não vou esperar em pé por isso.

Matatas disse...

Depois de tanta polêmica, espero não decepcionar quando o próximo post for sobre como amo o número 57 ou como tenho birra de gente não entende a diferença entre ironia e sarcasmo, ou alguma idiotice dessas.

Anônimo disse...

Volta, põe um post e para?

guikalil

Anônimo disse...

os comentário anteriores só reforçam a tese do blog de que os brasileiros são bípedes semi-racionais. Eta povinho que gosta de evitar confrontos e dizer realmente o que pensa, preferindo desviar do problema e fazer elogios vazios de sentido. Viva a mediocridade!!! José Simão para presidente já!!!!

Anônimo disse...

É, Matias, vc precisa retormar urgentemente o CincoFive ...
Vc escreve bem "menas" abobrinha quando editado.
Mas já sacou que as pessoas não gostam de ler textos com mais de 10 parágrafos ? O que corrobora a tese que de os brazucas são bípedes semi-analfabetos, inclusive os leitores do seu blog!

Fritz-Peter Hager disse...

Matias, vou pegar carona nesse último comentário: eu li o seu texto na íntegra. Já os comentários aqui acima apenas "passei os olhos". Nao estava disposto a comentar, pois eu te conheco e achei o texto muito engracado. Li como se fosse um texto do "Joselito": totalmente sem nocao. Sei que voce nao levou nada a sério e sem contar as contradicoes do que voce escreve. Daí eu li algumas coisas que me chamaram a atencao: os caras estao te levando a sério!!! Sociólogo!!?? Piaget!!?? Crítica da classe média!!!??? Desabafo???Nao paro de rir com esse seu Blog...e a comparacao com o M. Connection foi perfeita...abraco meu velho e ve se toma jeito...

Karen Eliot disse...

"(...) É igual discutir religiosidade e fanatismo sem concluir que a raiz do problema é que as pessoas são burras o suficiente para acreditar que existe um homem invisível no céu e que é possível engravidar de um fantasma."

Puta que pariu, Matias, eu já gostava de você, agora sou seu fã.

Anônimo disse...

Para de perder tempo... Esse tipo de analize só te faz perder tempo... as palavras que surgem no seu "belo texto" nada mudam a sua realidade, pq aoo invés de ficar se escondendo atrás de palavras de revolta você nao começa a fazer uma mudança de verdade? começando por você... Talvez deva permitir-se crescer e largar de ser apenas uma garotinho mimado escondido atras de uma revolta que nao adiciona nada a ninguem...
Talvez um bom inicio seja tentando entender o que é de verdade o "Homem invisivel" ou derrepente o "fantasma" seria um pequeno começo pra vc deixar de ser tao mediocre e parar de viver com os porcos...

Anônimo disse...

Caro amigo, de inteligencia superior e refinada, se todo o mundo tivesse sua linha de raciocinio, nao precisariamos de achar no dicionario portugues tantos adjetivos tais como IDIOTICE,ESTUPIDEZ,FANATISMO,HIPOCRISIA,LEVIANDADE,DESONESTIDADE,IGNORANCIA,DESRESPEITO,.EEEE, BURRICE. Parabens, e mais, voce que pensa que ser ATEU significa ser do mal,entao, com voce na ha linha de raciocinio que possibilite o minimo dialogo acerca da estupidez humana.